*
Mostra inclui filmes inéditos no Brasil como os longas
Mr. Forbush e os Pinguins, O Menino na Árvore e A Fera
e a Flecha
*Exibição
de Ritmos da Cidade, que deu à Suécia o primeiro
Oscar de sua história
*
Participação de José Wilker, ex-aluno de
Arne, no debate do dia 23 de março
Um
Oscar, duas Palmas de Ouro em Cannes e o prêmio especial
do Festival de Veneza. Estas credenciais deveriam ser suficientes
para garantir ao cineasta Arne Sucksdorff um lugar de honra no
Olimpo dos grandes diretores de cinema do mundo. Especialmente
no Brasil, país cuja cinematografia ele ajudou a forjar,
formando grande parte dos realizadores da geração
do Cinema Novo. Entretanto, este realizador, considerado um dos
mais importantes cineastas suecos, ao lado de Ingmar Bergman e
Alf Sjoberg, tem sido injustamente esquecido. Agora, uma mostra
vai realizar o que pode ser considerada a primeira grande retrospectiva
do cinema do criador que levou para a Suécia do primeiro
Oscar da história do país. É Arne Sucksdorff
o sueco do Cinema Novo, que acontecerá no Centro
Cultural Banco do Brasil em Brasília, de 16 a 24 de março
de 2010.
Ao
longo de oito dias, serão exibidos seis longas, um média
e sete curtas-metragens que promovem uma incursão do cinema
de Sucksdorff. Com curadoria do cineasta e professor Sérgio
Moriconi, a mostra Arne Sucksdorff o sueco do Cinema Novo
começa com a exibição do documentário
Arne Sucksdorff: Uma Vida Documentando a Vida, da pesquisadora
mato-grossense Bárbara Fontes. O filme tem 32 minutos de
duração e foi finalizado em 2002. As filmagens percorreram
cinco locações: Suécia, Rio de Janeiro, Cuiabá,
Poconé e Pantanal. No dia 23, haverá um bate-papo
com José Wilker, ex-aluno do histórico curso que
Sucksdorff ministrou no Brasil e o curador Sérgio Moriconi.
A mostra tem o apoio da Embaixada da Suécia no Brasil e
do CTAV Centro Técnico Audiovisual do Ministério
da Cultura.
Serão
exibidos os longas-metragens A Grande Aventura (1953), uma das
obras mais consagradas
de
Arne; A Fera e a Flecha (1957); O Menino na Árvore (1969);Fábula/
Meu Lar é Copacabana (1964); Mr. Foubusch e os Pinguins
(1971); e Mundo à parte (de 1975, feito em quatro episódios).
A programação também incluirá os curtas
Ritmos da Cidade (1948), Vila Indiana (1951), Uma História
de Verão (1941), Vento do Oeste (1943), Semeadura (1943),
Aurora (1945), Gaivota (1944), Sombras na Neve (1945), A Partida
(1948), Jornada Escandinava (1950) e O vento e o Rio (1951).
O
SUECO E O BRASIL
Arne
Sucksdorff foi fundamental na consolidação do Cinema
Novo no Brasil. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, em 1962, a convite
da Unesco, para ministrar curso de formação em técnica
cinematográfica, Sucksdorff mudou a história do
cinema nacional. Com ele, chegaram câmeras de 35mm (a famosa
Arriflex) e 16mm, a revolucionária Éclair, a mesa
de montagem Steenbeck (na qual Nelson Pereira dos Santos montaria
Vidas Secas), os dois primeiros gravadores Nagra que chegaram
ao Brasil (possibilitando o som direto), refletores, tripés
e toda uma lista de equipamentos fundamentais. O Brasil, finalmente,
tomava contato com os segredos das novas técnicas cinematográficas.
Com
este pequeno parque de equipamentos, muitos filmes brasileiros
fundamentais foram produzidos. Películas hoje clássicas
do Cinema Novo foram montadas na moviola Steenbeck, como Maioria
Absoluta, de Leon Hirszman, Os Fuzis, de Rui Guerra, e Terra em
Transe, de Glauber Rocha. Arne Sucksdorff tornou-se uma referência
fundamental para alguns dos nossos mais importantes cineastas.
Durante o curso que veio ministrar no Brasil, teve como intérprete
Arnaldo Jabor que ainda não havia se apaixonado
pelo cinema. Na lista dos alunos estavam José Wilker, Eduardo
Escorel, David Neves, o grande fotógrafo Dib Lutfi, o jornalista
Vladimir Herzog, entre outros.
Quando
desembarcou em terras brasileiras, Sucksdorff já era um
cineasta reconhecido internacionalmente seu filme sobre
a arquitetura de Estocolmo Ritmos da Cidade (Människor
is Stad) havia ganhado o Oscar de melhor documentário
estrangeiro em 1947. Mas a ligação de Sucksdorff
com o Brasil não terminou ali. Em 1966, ele retornou ao
País e desembarcou no Pantanal em busca de locação
para um documentário. Conheceu ali a paixão da sua
vida e decidiu não voltar mais para a Suécia. Arne
Suckdorff casou-se com a matogrossense Maria Graça, teve
dois filhos, e adotou o Brasil como sua segunda pátria.
No início dos anos 90, retornou à Suécia,
onde escreveu seu livro de memórias, inédito em
português. Morreu em sua Estocolmo natal, de pneumonia,
aos 84 anos. Como um de seus últimos desejos, teve suas
cinzas lançadas no santuário ecológico em
que escolheu para viver, no Pantanal matogrossense, às
margens do rio Paraguaizinho. Recuperar um pouco desta trajetória,
apresentando para a geração atual de espectadores
o cinema de Arne Sucksdorff pode ser solucionar uma dívida
histórica do País para com esta figura tão
essencial para o cinema brasileiro (e ainda tão pouco conhecida).
Arne
Sucksdorff foi um grande realizador, tanto no campo do documentário
como também na ficção. Tem uma obra extensa
feita tanto para o cinema quanto para a televisão. Um dos
seus principais longas ficcionais foi rodado nos morros cariocas
Meu Lar é Copacabana foi produzido pela Svensk Filmindustri
e tem roteiro assinado pelo ator Flávio Migliaccio. O filme
é comparado a Os Esquecidos, de Luis Buñuel. Além
de sua cinematografia, a mostra pretende exibir o raríssimo
Marimbás, que tem argumento e roteiro de Vladimir Herzog
e foi o projeto escolhido para ser realizado pelos alunos de Sucksdorff.
O filme é pioneiro no Brasil na utilização
do som direito.
PROGRAMAÇÃO
Dia 16, terça
18h30
Arne Sucksdorff Uma Vida Documentando a Vida (Cor,
32) + Um Conto de Verão (P&B, 18)
20h00
Fábula/ Meu Lar é Copacabana (P&B, 88)
Dia 17, quarta
18h30
Mundo à Parte I e II (cor, 60)
20h00
A Grande Aventura (P&B, 94)
Dia 18, quinta
18h30
Mundo à Parte III e IV (cor, 60)
20h00
A Fera e a Flecha (cor, 75)
Dia 19, sexta
18h30
Vento do Oeste (P&B, 18) + O Vento e o Rio (P&B,
10) + Vila Indiana (P&B, 27) + Sombras na Neve
(P&B, 11)
20h00
O Menino na Árvore (P&B, 85)
Dia 20, sábado
16h00
Mr. Forbusch e os Pingüins (cor, 101)
18h00
Vento do Oeste (P&B, 18) + O Vento e o Rio (P&B,
10) + Vila Indiana (P&B, 27 + Sombras na Neve
(P&B, 11)
20h00
Fábula/ Meu Lar é Copacabana (P&B, 88)
Dia 21, domingo
16h30
Arne Sucksdorff Uma Vida Documentando a Vida (Cor,
32) + Um Conto de Verão (P&B, 18)
18h00
- A Grande Aventura (P&B,94)
20h00
O Menino na Árvore (P&B, 85)
Dia
23, terça
18h00
Mundo à Parte I e II (cor, 60)
19h30
Ritmos da Cidade (P&B, 18) + Marimbás
(P&B, 10)
SESSÃO
SEGUIDA DE DEBATE com a participação do ator
José Wilker
Dia 24, quarta
18h30
Mundo à Parte III e IV (cor, 60)
20h00
Ritmos da Cidade (P&B, 18) + Mr. Forbusch e os
Pingüins (cor, 101)
*CLASSIFICAÇÃO
INDICATIVA: 14 ANOS
SINOPSES
·
LONGAS-METRAGENS
A
GRANDE AVENTURA (Det Stora Äventyret) Brasil, 1953,
P&B, 94
Direção:
Arne Sucksdorff
Dois
irmãos encontram uma lontra aprisionada numa armadilha
deixada por um caçador no meio da floresta. Os garotos
resolvem salvar o animal, que batizam de Otti, e o levam para
o porão de casa. Gastam suas economias comprando comida
para ele. Na primavera, Otti não resiste aos apelos da
natureza e volta para a floresta. No filme, Sucksdorff muitas
vezes faz a câmera assumir o lugar dos olhos dos bichos.
Premiado
com a Palma de Ouro no Festival de Cannes 1953 e Melhor Documentário
pela British Film Academy
A
FERA E A FLECHA/O ARCO E A FLECHA (En Djungelsaga) Suécia,
1957, COR, 75
Direção:
Arne Sucksdorff
Mistura
de documentário e ficção, rodado na Índia
Central, apresenta o tranqüilo cotidiano dos remanescentes
da antiga civilização Múria, que até
hoje vivem isolados. O ritmo calmo da vida na tribo é quebrado
com a chegada de dois jovens de castas diferentes. Eles desrespeitam
as regras da sociedade local. Resolvem se unir numa espécie
de oca tribal, o que é tabu entre os Múrias. Enquanto
isso, um tigre ronda o local em busca de alimento.
Primeira
e única tentativa de Sucksdorff de trabalhar com a cor.
A trilha original foi composta por Ravi Shankar.
MEU
LAR É COPACABANA/FÁBULA (Mitt Hem Är Copacabana)
Brasil, 1965, P&B, 88
Direção:
Arne Sucksdorff
A
história de três irmãos, órfãos
de pai, que perdem também a mãe e são despejados
do barraco onde vivem na favela. Eles conhecem um quarto menino,
foragido de um reformatório. Juntos, eles invadem um barraco
abandonado e passam a viver ali, até serem expulsos pelos
bandidos. Sem ter para onde ir, encontram nas areias da praia
de Copacabana um local seguro para viver. Entre risos e brincadeiras,
eles lutam para conseguir o pão de cada dia. Até
que Ricco fica gravemente doente.
Realizado
a partir de roteiro de Flávio Miggliaccio, o filme lançou
o ator Cosme dos Santos e recebeu prêmios no Festival de
Moscou, Festival de Bruxelas e o Prêmio Francisco de Assis,
do Vaticano.
O
MENINO NA ÁRVORE (Pojken I Trädet) Suécia,
1961, P&B, 85
Direção:
Arne Sucksdorff
Com
música de Quincy Jones (na época, um dos maiores
produtores e arranjadores musicais do mundo), o filme começa
mostrando um grupo de adolescentes de uma rica família
sueca, liderado pelo malvado Max, saindo para caçar veados.
O sensível Göte, um dos garotos, se afasta do grupo,
para não participar da crueldade. Depois, é encontrado
dentro do tronco de uma velha árvore, pelo proprietário
das terras, que tenta persuadi-lo a deixar o local. Ele se nega.
MR.
FORBUSCH E OS PINGUINS (Cry of the Penguins) Grã-Bretanha,
1971, Cor, 101
Direção:
Arne Sucksdorff, Alfred Viola e Roy Boultin
Um
jovem biólogo londrino passa a maior parte do tempo perseguindo
meninas ao invés de perseguir a ciência. Quando surge
a oportunidade de ir para a Antártida estudar uma colônia
de pinguins, ele concorda imediatamente. Não tanto por
um interesse científico, mas sim para impressionar a garota
que está cortejando. Mas quanto mais tempo ele fica na
Antártida, mais se interessa verdadeiramente pelo combate
à caça de pinguins. Quando chega a hora de ir para
casa finalmente, ele é um homem mudado com uma perspectiva
totalmente nova da vida.
MUNDO
À PARTE Brasil/Suécia, 1970-1976, Cor, 120
Direção:
Arne Sucksdorff
Série
realizada para o antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
Florestal (IBDF) e composta de quatro filmes, batizados por Sucksdorff
com os algarismos romanos (I, II, III e IV) e posteriormente chamados
de Os anos felizes, Os anos na selva, Manhã do Jacaré
e Reino da Selva. Apresenta cenas do cotidiano e registros das
pesquisas desenvolvidas por Arne e sua esposa, Maria, durante
os anos em que viveram no Pantanal matogrossense. O trabalho mostrou
para o mundo a beleza da fauna e da flora da maior planície
alagada do planeta.
·
MÉDIA-METRAGEM
ARNE
SUCKSDORFF UMA VIDA DOCUMENTANDO A VIDA Brasil,
2002, Cor, 32
Direção:
Bárbara Fontes
História
da vida, da obra e da morte de Arne Sucksdorff, cineasta, escritor,
fotógrafo, pesquisador e ambientalista sueco que viveu
no Brasil por cerca de 30 anos. As gravações do
documentário foram feitas na Suécia, Rio de Janeiro,
Cuiabá, Poconé e parte do Pantanal e contam com
a participação de mais de 30 pessoas. Arne morreu
na Suécia em 2001, aos 84 anos, de enfisema pulmonar e
Bárbara pode registrar as últimas imagens do cineasta
vivo, entrevistar Dona Maria Sucksdorff, o diretor de fotografia
Dib Luft, Luiz Carlos Saldanha, Eduardo Escorel e Flávio
Migliaccio, além de conviver e revelar, no curta, excentricidades
do famoso cineasta, um perfeccionista.
·
CURTAS-METRAGENS
RITMOS
DA CIDADE (Människor I Stad) Suécia, 1948,
P&B, 18
Direção:
Arne Sucksdorff
Pequenos
fragmentos da cidade de Estocolmo e seus habitantes, ao longo
de um dia, com flagrantes em formato impressionista.
Premiado
como Melhor Curta-Metragem de 1949, pela Academia Americana, representou
o primeiro Oscar da história do cinema sueco.
UM
CONTO DE VERÃO (En Sommarsaga) Suécia, Suécia,
1941, P&B, 13
Direção:
Arne Sucksdorff
O
filme acompanha a vida de um filhote de raposa nas florestas de
Stora Karlso. Arne investiu o próprio dinheiro para produzir
este filme. A câmera foi um presente de seu pai. Segundo
o crítico Rune Waldekranz, o filme é um poema
denso, original e espontâneo. (...) uma alegoria lírica
sobre a morte e a regeneração.
O
VENTO E O RIO (Vinden och Floden) Suécia, 1951,
P&B, 10
Direção:
Arne Sucksdorff
Obra
que acompanha a vida de um homem de Kashimir, nas montanhas Himalaia.
É um cotidiano simples, que fica longe dos avanços
tecnológicos. Um rio assume a importância de fonte
de vida essencial.
Prêmio
Especial do Festival de Veneza de 1952.
VILA
INDIANA (Indisk By) Suécia, 1951, P&B, 27
Direção:
Arne Sucksdorff
Resultado
de uma viagem do cineasta à Índia, o filme apresenta
a vida dos habitantes de uma pequena vila no oriente do país,
que enfrenta a ameaça de uma seca terrível.
SOMBRAS
NA NEVE (Skugger över snön) Suécia, 1945,
P&B, 11
Direção:
Arne Sucksdorff
Um
garoto prepara uma armadilha na floresta, no dia do Natal. Nas
celebrações religiosas, de noite, ele se mostra
ansioso para saber o que terá acontecido.
VENTO
DO OESTE (Vinden frän Väster) Suécia,
1942, P&B, 18
Direção:
Arne Sucksdorff
A
vida de uma comunidade do povo Lapão (na Escandinávia).
Com a chegada da primavera, os lapões deixam as cidades,
retornando às florestas. Um velho lapão sabe que
não conseguirá cumprir a jornada final. Enquanto
isso, um garoto observa as renas subindo as montanhas através
da janela da sala de aula.
MARIMBÁS
Brasil, 1962, P&B, 10
Direção:
Vladimir Herzog
Trabalho
final dos alunos do curso ministrado por Arne Sucksdorff no Brasil,
apresenta o registro do cotidiano de um grupo símbolo da
marginalidade carioca na época: pessoas que viviam da pesca
sem serem pescadores no Posto 6 da praia de Copacabana no Rio
de Janeiro e faziam biscates e pequenos negócios para conseguir
trocados. O filme foi realizado com som direto, em equipamento
trazido por Arne para o Brasil, representou uma das primeiras
experiências neste campo no Brasil.
ARNE
SUCKSDORFF O SUECO DO CINEMA NOVO
Local:
Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília
Data:
de 16 a 24 de março de 2010
Horários:
18h30 e 20h00 (de sexta a domingo, também às 16h30)
Ingressos:
R$ 4,00 e R$ 2,00
Informações:
(61) 3310. 7087
Assessoria
de imprensa (para uso exclusivo de jornalistas): Objeto Sim
Tels:
(61) 3443. 8891 e (61) 3242. 9805
Carmem
Moretzsohn: 8142. 0111 - Gioconda Caputo: 8142. 0112
Maria
Alice Monteiro: 9831. 5090